

"A quem interessar possa:
Saibam que eu, Roberto Landell de Moura, cidadão da República do Brasil, residente no distrito de Manhattan da cidade de Nova York, Estado de Nova York, inventei um novo Transmissor de Ondas, de que faço as seguintes especificações: Minha invenção relaciona-se a transmissões de mensages, de um ponto a outro, sem auxílio de fios, ou, resumidamente, à sinalização através do espaço.
Tem como objetivo produzir melhores resultados com
aparelhos simplificados, utilizando certos principios qu eu mesmo descobri.
Até agora, quando se tinham de transmitir sinais, a transmissão
era feita por meio de aparelhos de funcionamento manual. Em alguns casos,
estes foram substituídos por mecanismos automáticos; mas
o manejo de tais mecanismos, ou a manipulação de uma chave,
requer certa habilidade e experiência do operador. De acôrdo
com minha invenção, produzo, primeiramente, oscilações
eletricas e tremulações de Luz,
por meio de
vibrações sonoras,
que podem ser as da voz humana ou
de outros sons.
Emprego então, essas oscilações
elétricas ou
luminosas, assim produzidas, para telefonar
ou telegrafar
através do espaço. Em tal transmissão,
e especialmente telefonando, posso usar invenções semelhantes
às que descrevi em meu requerimento anterior, protocolado em 04
de
outubro de 1901, Série
N.77.576. Para produzir as duas espécies de oscilações
mencionadas, inventei uma disposição de circuitos e de certos
aparelhos que denominei "interruptor fonético".
Meu interruptor
fonético consiste, essencialmente,
em um par de contatos capazes de reproduzir os tons
da voz ou as vibraçoes partidas de
qualquer fonte que possa controlar o circuito primário de uma bobina
de indução de alta-frequência, primário este
que está ligado ao primário de uma bobina de Ruhmkorff,
para transmissão.
As vibrações
sonoras no interruptor
são transformadas em ondas
elétricas ou
luminosas, as quais, passando para a estação-receptora,
são aí recebidas e atuam sobre aparelhos adequados, por meio
dos quais podem elas tornar-se perceptíveis com o emprego de um
Receptor Telefônico,
de
uma lâmpada,
de um registrador
Morse, ou coisa semelhante. Minha invenção
está detalhadamente descrita nas seguintes especificações,
e ilustradas nos desenhos anexos.
Com relação à
1 é um corte de meu interruptor fonético
com todas as partes representadas. Em 2 a
figura representa uma chave-reguladora para o núcleo da bobina de
indução. Em 5 estão representados os circuitos
transmissores, com os aparelhos representados
em seus lugares. Em 1 temos a caixa, ou invólucro não condutor,
e A' é uma tampa. Esta tampa é feita de modo a conter uma
câmara ressonante,
na base da qual existe um disco perfurado A2, e sustentado pelo invólucro,
está um diafragma (a), tendo em seu ponto central uma ligeira depressão
(a').
Colocada no interior do invólucro
e apoiada em saliências adequadas, há uma bobina de indução
D, que tem o enrolamento primário (d) e o secundário (d'),
em volta de um núcleo de ferro doce
(d2). Esse núcleo é
oco, e em seu interior existe um eixo central (B), suportado, em sua extremidade
superior, pela extremidade perfurada do núcleo, e, em sua extremidade
inferior, é fixado interiormente por meio da porca (b) atarraxada
na extremidade inferior do núcleo, e da guia (b4). O eixo tem uma
cabeça (B'), pela qual pode ser manipulado. A função
do ajustamento
é permitir que a estreita
abertura de ar, entre a extremidade do eixo, em (b2), e o diafragma (a),
em (a'), seja de tal modo disposto que as vibrações da palavra
articulada produzam um movimento contínuo, rápido e regular,
e interrompam o circuito. Por meio da chave K (representada em 2), a porca
(b) pode ser aparafusada quando o eixo está ajustado, introduzindo
as hastes (k) e (k4), da chave nos orifícios (b3) da porca.
Fixado na extremidade superior
da tampa (A') existe um tubo flexível (C), com um bocal (c).
Para fazer uso do aparelho,
o operador fala de acordo com um código
preestabelecido, ou de qualquer
outra maneira, pelo bocal (c).As ondas
sonoras propagadas através do tubo, e, passando através da
abertura central da tampa (A2), atuam sobre o diafragma (a), produzindo
uma vibração correspondente, em consequência da qual,
se os ajustamentos tiverem sido corretamente feitos, uma
série rápida de contatos e interrupções ou
de sucessivos contatos terá lugar entre o
diafragma e a extremidade
de (b2), correspondendo sua frequência
às ondas que produzem.
Esses
contatos e interrupções determinam
impulsos ou variações de corrente , no
circuito primário 12.
A produção e as interrupções de contatos tem como consequência produzir pulsações de corrente no enrolamento primário,, correspondendo muito aproximadamente aos tons de voz ou aos sons por ela produzidos. Certamente é impossível obter um ajustamento de contato tão perfeito que reproduza todos os harmônicos e torne perfeita a articulação, mas por outro lado, para obeter os efeitos de descarga a que vou agora referir-me penso ser melhor obter interrupções positivas do que simples mudanças de resistência no circuito. Não é necessário dizer que posso ajustar os contatos de modo a produzir contatos constantes e pressão variável, requisito para que seja perfeito o trabalho microfônico; mas, com intuítos práticos, acho que é melhor produzir os impulsos do modo que descrevi.
Considerando agora 5, vou descrever
as conexões de meu aparelho, para obter um sistema eficaz.
F é uma é uma
bobina de Ruhmkorff ou outra qualquer bobina de indução e
de alta potência, ajustada de maneira a produzir uma centelha de
certo comprimento - digamos de cerca de um quarto de polegada ou mais.
O enrolamento primário (f) dessa bobina, está ligado ao circuito
15 e 16, que inclui a bateria principal M e o interruptor
fonético (A). O enrolamento secundário
da bobina (F), assinalado por (f') está ligado pelos fios 7 e 8
aos terminais 21 e 20 do feixe de fios irradiantes, que podem ser de forma
comum ou espeical de qualquer condutor aéreo, com ou sem terra
de um dos lados. Um par de terminal (11) (12), para produzir centelha,
está previsto, para ser intercalado no circuito (7) (8), pelos simples
fechamento do interruptor (S'). Está também ligado ao circuito
secundário, um condensador de capacidade conveniente. O circuito
primário (15) (16) vai da bobina de Ruhmkorff aos terminais primários
da bobina de indução (D), no interruptor fonético.
O enrolamento secundário
(d') está ligado a um circuito local (19), que contém um
receptor telefônico (T), e o circuito primário inclui uma
lâmpada (e), que pode servir tanto para transmitir quanto para receber
mensagens. Existe também um condensador (G), de capacidade conveniente,
intercalado no ciruito primário. A
maneira de usar o sistema descrito, é a seguinte: Para
transmitir ondas hertzianas, correspondentes a
vibrações sonoras, o interruptor
(S') é fechado e o interruptor (S) é aberto, e o operador
passa a produzir os sons desejados, por meio do bocal (c)
do interruptor fonético.
Uma sucessão de impulsos é assim produzida no circuito primário
da bobina (F), efeito este que é aumentado pela presença
do condensador (G), que absorve o execesso de corrente, contribui para
a rápida desmagnetização da bobina de indução,
e impede,
ainda, a produção
de centelhas entre o diafragma e a ponta do eixo. Estes impulsos no primário,
que são muito rápidos e que atingem cerca de quinhentos
a novecentos por segundo, quando a ajustagem
é adequadamente feita, produzem impulsos de alto potencial no secundário.
Para produzir oscilações de luz por meio do interruptor, na estação transmissora, emprego a voz humana natural , de preferência, porque as tremulações produzidas, correspondendo, em forma e frequência, aos sons iniciais, e sendo estes convenientemente reproduzidos com o auxilio de aparelhos adequados, na estação receptora, permitem o reconhecimento mais ou menos perfeito dos sons originais, e visto como muitas palavras ou tons podem ser reconhecidos por seu valor intrínseco, tanto como por qualquer valor que lhes possa ser emprestado por meio de qualquer código arbitrário, um número suficiente de palavras distintas pode ser selecionado, para constituir um código completo e muito eficiente.
É claro que outras fontes
de vibraçoes sonoras podem ser empregadas para substituir a voz
humana. Assim para produzir oscilações elétricas por
meio do mesmo interruptor, pode ser usada na estação transmissora,
uma fonte de sons constituída de um instrumento musical semelhante
a um pequeno órgão, tendo um conjunto de palhetas ou de tubos
acústicos ligados ao bocal do tubo-interruptor. Fazendo vibrar então
fortemente o diafragma do interruptor, este produz oscilações
de luz ou de eletricidade
que podem ser recebidas, depois de transmitidas, por meio de
qualquer aparelho convenientemente
sensível. Em adição a este método de transmissão
por meio de ondas elétricas ou
luminosas, como disse, algumas das particularidades
aqui descritas podem ser usadas juntamente com os meus outros sistemas.
Em um desses sistemas, emprego ondas ou sinais
intermitentes de luz, para transmitir sinais de códigos.
No caso presente posso empregar a lâmpada (e), de modo análogo, produzindo as variações iniciais de corrente por meio do interruptor fonético. Se as pulsações de luz forem demasiadamente rápidas, pode-se regular o ajustamento dos terminais fixos e do diafragma, até que a amplitude das variações seja suficiente para eliminar todos os tons, menos os fundamentais. De fato, pode ser dado mais peso ao diafragma, se assim for preciso, ou suas pulsações podem ser, de outro modo, retardadas. No caso da transmissão ser feita por ondas de luz, emprego refletor e posso usar também telas de vários materiais, tais como lâminas de vidro colorido, e se me aprover, substituir a lâmpada indicada por uma lâmpada catódica, do tipo descrito em meu outro requerimento, ou qualquer outra espécie de luz.
Observe que o mais importante
e, de fato, o aspecto essencial de meu invento é o emprego de um
transmissor que
se liga e desliga por efeito das vibrações sonoras, fazendo
com que as ondas de luz ou
eletromagnéticas transmitidas correspondam, de modo bem aproximado,
às ondas sonoras pelas
quais elas são produzidas.

