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Base 03 
Índice  Autor Queiroz, Francisco Assis de
Índice  Título A revolução (micro) eletrônica :pioneirismos brasileiros e utopias tecnotrônicas.
Imprenta São Paulo, 1999. 
Descr Fís 197 p. 
Grau Dissertação (Mestrado) 
Resumo Esta tese procura examinar um período da história contemporânea, a partir da inclusão de variáveis como ciência e tecnologia, em nosso caso, a eletrônica, considerando sua relevância e seus impactos e implicações para a sociedade em geral e ,brasileira, em particular. Para se compreender, ainda, num sentido amplo, o papel da ciência e tecnologia na construção histórico-social da realidade, faz-se mister compreendê-las também quanto ao seu papel em termos de projeções e de concepções utópicas - aqui genericamente chamadas de utopias tecnotrônicas -, aspecto atestado e explorado não apenas pela ficção científica, mas por muitos cientistas e analistas da sociedade contemporânea. A partir dessas considerações, procura-se destacar alguns traços da pessoa e obra do padre e cientista Roberto Landell de Moura (de Porto Alegre), pioneiro nas experiências de comunicação eletrônica sem fio, no final do século XIX (1893-1894) em São Paulo, detendo-se em outra pessoa pioneira, Luzia Rennó Moreira que, na década de 1950, em Santa Rita do Sapucaí (Minas Gerais), uma pequena cidade de economia quase exclusivamente agropecuária - ainda o é em grande medida -, tornou-se responsável pela criação da primeira escola técnica de eletrônica da América do Sul, gênese do que é hoje conhecido como Vale da Eletrônica. 
Notas História social. 
Mostra  Assunto HISTORIA DA CIENCIA
Mostra  Assunto TECNOLOGIA (HISTORIA)
Autor Sec Motoyama, Shozo, orient; 
Res.Inglês This Thesis tries to examine a contemporary history period from variable inclusion such as:and technology, in this case, electronics, considering its importance and its impacts and needs for society in general, specially the Brazilian one. In order to understand it, in a wide judgement, the role of science and technology in the realhistorycal-social construction, it is also necessary understanding them in their role through projections and utopian conceptions - generically here called as utopiae technotronics -, aspect attested and explored not only by science fiction, butalso by many scientists and analysts of contemporary society. From these considerations, one tries to stand out some traces of a person and the work of priest and scientist Roberto Landell de Moura, from Porto Alegre - Brazil, pioneer inexperiences of wireless electronics communication at the end of the XIXth century (1893-1894) in São Paulo, by detaining on another pioneer, Luzia Rennó Moreira, in 1950s, in Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais - Brazil, a small town with almostexclusively agricultural and cattle breeding economic basis - which is still the same in a large portion -, she became responsible for the creation of the first electronics technical school in South America, origin of the nowadays known as Electronics Valley. 
Tipo Trab TESE DatDef 20.09.1999 
Unid FFLCH - FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIENCIAS HUMA 
Exemplares Acervo Exemplares na biblioteca FFLCH 
 
 
 
 
 
 
 

Pioneiro da radiodifusão 

Se o brasileiro tivesse recebido apoio das autoridades, hoje a história do rádio seria diferente." César Santos 

 
César Santos recupera a trajetória do padre Landell de Moura enquanto cientista 

A invenção do rádio, apesar de ter ocorrido há mais de um século, ainda causa controvérsias. César Augusto Azevedo dos Santos, coordenador do curso de Radialismo da UPF, trata da principal controvérsia a respeito do assunto em Quem inventou o Rádio? O livro é resultado de sua dissertação de Mestrado em Comunicação Social, defendida na Universidade Metodista de São Paulo. Nele, o jornalista faz uma retomada histórica dos primeiros estudos sobre eletromagnetismo, eletricidade e radiodifusão e aborda a trajetória do padre gaúcho Roberto Landell de Moura, pioneiro nos experimentos. 

Landell de Moura demonstrou vocação para a ciência e para a religião desde cedo, tendo, inclusive, estudado no exterior. Em 1893, o gaúcho realizou transmissões eletromagnéticas na capital paulista. Porém, não houve registros ou testemunhas que pudessem confirmar tal fato. Isso só aconteceu em 1900, quando Landell de Moura repetiu suas experiências publicamente.  

Dessa vez, um representante do governo inglês acompanhou a exibição, que foi, inclusive, registrada na imprensa. Nessa mesma época, o governo brasileiro lhe conferiu a patente de nº 3279, concedida para um aparelho apropriado à transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água. De acordo com César Santos, o padre gaúcho, inconformado com a pouca receptividade de seus inventos no Brasil, decidiu ir para os Estados Unidos. Lá, patenteou seus inventos - transmissor de ondas, telefone sem fio e telégrafo sem fio - e conseguiu certa notoriedade na mídia. 

Mas com isso não foi possível o reconhecimento de Landell de Moura como precursor na transmissão do som a distância, sem a utilização de fios condutores. Quem recebeu o mérito e o reconhecimento por esse fato foi o italiano Guglielmo Marconi. É seu nome que aparece em grande parte da literatura sobre o assunto. O físico italiano realizou experimentos sobre o telégrafo sem fio depois do brasileiro, mas patenteou-as antes, na Inglaterra. Isso fez com que fosse reconhecido como o inventor do rádio. 

 
 

Reconhecimento 
O objetivo de César Santos com Quem inventou o Rádio? é recuperar a trajetória do padre Landell de Moura enquanto cientista, já que, "apesar do pioneirismo de seus inventos, ainda não recebeu dos historiadores e da sociedade brasileira o devido reconhecimento pelo seu trabalho científico". Ele ainda faz questão de esclarecer que procurou avaliar os fatos sob uma ótica desapaixonada, ao contrário de grande parte da produção literária brasileira sobre o tema. Santos também não desqualifica a importância do trabalho de Marconi. 

O contexto social em que viviam foi a principal diferença entre os dois cientistas, o que acabou, entre outros fatores, sendo decisivo para o sucesso de Marconi e o ostracismo de Landell. Enquanto o italiano cresceu na Europa, no meio cultural e econômico apropriado para o desenvolvimento do seu pensamento científico, o brasileiro nasceu em Porto Alegre, longe dos grandes centros de desenvolvimento tecnológico. 

Além disso, Landell de Moura, paralelamente a sua atuação como cientista, destinou parte da sua vida aos estudos teológicos e ao sacerdócio, atividade à qual se dedicou ao não ser reconhecido como cientista e inventor, apesar das patentes que lhe foram concedidas. Até mesmo por sua vivência religiosa, acredita-se que Landell de Moura tenha se conformado com a situação. Marconi, por sua vez, recebeu total reconhecimento do governo italiano e projeção internacional, tendo dividido o Prêmio Nobel de Física com Karl Ferdinand Braun. 

César Santos lamenta que, ainda hoje, o governo não tenha tomado para si a responsabilidade de inscrever o nome do cientista na história da evolução da radiodifusão. "Configura-se uma omissão que, corrigida, contribuiria para valorizar o trabalho científico no Brasil, além de estimular o fortalecimento de uma cultura de respeito aos nossos cientistas e de não-aceitação passiva da 'verdade' advinda dos centros que detêm a hegemonia econômica e cultural", conclui. O autor acredita que se Landell de Moura tivesse recebido o apoio merecido das autoridades brasileiras e da Igreja Católica, hoje a história do rádio seria diferente e o nome cientista brasileiro teria outra dimensão no mundo das ciências.

 
Cesar Augusto Azevedo dos Santos
Autor do livro: Quem inventou o Rádio?
 
http://www.upf.tche.br/users/jornal/marco02/pesquisa.htm
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