Desde o ano de 1995 venho estudando a vida
e obra de Roberto Landell de Moura e o resultado desde estudo tenho
colocado na internet. De lá para cá tenho notado que aumentou
o número de pessoas com interesse nesses estudos, quer seja do pessoal
diretamente ligado aos estudos técnicos de eletrônica e eletrotécnica,
quer seja em nível técnico médio ou universitário.
Muitos são da área de comunicação. Vejo com
satisfação que a internet veio ajudar porque se alguém
o estuda e coloca o resultado desse estudo de um modo mais acessível,
a informação tem um maior grau de difusão.
Quando eu era um estudante de eletrônica,
lá pelos idos de 1963, soube por informações que constavam
em um catálogo telefônico que tivemos um pioneiro nessa área
chamado Landell. Aquela leitura me impressionou sobremaneira, porque seus
inventos eram anteriores aos de Marconi e por ser um padre, não
um cientista convencional metido nos laboratórios a dirigir uma
grande equipe.
Como teria conseguido transmitir voz sem
auxilio de válvulas amplificadoras utilizando sómente elementos
passivos? Indaguei aos professores e nada sabiam me dizer acerca do padre...
Procurei por livros, para saciar o desejo
de saber como o tinha feito, não os encontrei. Quando finalmente
na aposentadoria pude procurar com mais vagar, com mais detalhe, consegui
em sebos, livros que não estavam mais sendo editados e algumas
revistas técnicas. Muitos escritos e revistas cairam me providencialmente
às mãos doadas por pessoas que os possuiam, e por outros
estudiosos que ficamos conhecendo dado o interesse comum.
Penso o quanto importante foram aqueles que
se debruçaram mais longamente sobre o estudo de Landell, Ernani
Fornari - "O Incrível Padre Landell de Moura"
-, B.Hamilton Almeida - "Landell
de Moura" e "O Outro Lado das Telecomunicações"
- Murillo de Sousa Reis e Arnaldo Nascimento
- "Subsídios Para Saldar Uma Dívida" e que possibilitaram
também os meus estudos, e se não houvessem eles feito um
magnifico trabalho não poderia também eu ter me dedicado
a estudar a vida e a obra desse importante personagem de nossa história
científica.
Já faz dois anos fui contactado por
um estudante da USP - Francisco de Assis Queiroz
que estava fazendo um estudo sobre a evolução da microeletrônica
e sobre os pioneiros da eletrônica no Brasil, no caso estava interessado
em Landell. Como tenho sempre o hábito de fazer pesquisas para saber
sobre as publicações sobre este assunto tive a grata surpresa
de saber que seu trabalho uma tese de mestrado já está disponível
na Usp, conforme pode ser visto logo mais abaixo.
Outra tese de mestrado que foi publicada em livro: " Quem inventou o Rádio?" de autoria de Cesar Augusto Azevedo dos Santos, conforme pode ser visto na seqüencia - Pioneiro da Radiofusão. Já é de nosso conhecimento que outros estudantes também estão preparando suas teses de mestrado com o mesmo tema. É para nós um motivo de muita alegria!
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Formato completo do registro - DEDALUS |
| Base | 03 | |
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Autor | Queiroz, Francisco Assis de |
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Título | A revolução (micro) eletrônica :pioneirismos brasileiros e utopias tecnotrônicas. |
| Imprenta | São Paulo, 1999. | |
| Descr Fís | 197 p. | |
| Grau | Dissertação (Mestrado) | |
| Resumo | Esta tese procura examinar um período da história contemporânea, a partir da inclusão de variáveis como ciência e tecnologia, em nosso caso, a eletrônica, considerando sua relevância e seus impactos e implicações para a sociedade em geral e ,brasileira, em particular. Para se compreender, ainda, num sentido amplo, o papel da ciência e tecnologia na construção histórico-social da realidade, faz-se mister compreendê-las também quanto ao seu papel em termos de projeções e de concepções utópicas - aqui genericamente chamadas de utopias tecnotrônicas -, aspecto atestado e explorado não apenas pela ficção científica, mas por muitos cientistas e analistas da sociedade contemporânea. A partir dessas considerações, procura-se destacar alguns traços da pessoa e obra do padre e cientista Roberto Landell de Moura (de Porto Alegre), pioneiro nas experiências de comunicação eletrônica sem fio, no final do século XIX (1893-1894) em São Paulo, detendo-se em outra pessoa pioneira, Luzia Rennó Moreira que, na década de 1950, em Santa Rita do Sapucaí (Minas Gerais), uma pequena cidade de economia quase exclusivamente agropecuária - ainda o é em grande medida -, tornou-se responsável pela criação da primeira escola técnica de eletrônica da América do Sul, gênese do que é hoje conhecido como Vale da Eletrônica. | |
| Notas | História social. | |
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Assunto | HISTORIA DA CIENCIA |
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Assunto | TECNOLOGIA (HISTORIA) |
| Autor Sec | Motoyama, Shozo, orient; | |
| Res.Inglês | This Thesis tries to examine a contemporary history period from variable inclusion such as:and technology, in this case, electronics, considering its importance and its impacts and needs for society in general, specially the Brazilian one. In order to understand it, in a wide judgement, the role of science and technology in the realhistorycal-social construction, it is also necessary understanding them in their role through projections and utopian conceptions - generically here called as utopiae technotronics -, aspect attested and explored not only by science fiction, butalso by many scientists and analysts of contemporary society. From these considerations, one tries to stand out some traces of a person and the work of priest and scientist Roberto Landell de Moura, from Porto Alegre - Brazil, pioneer inexperiences of wireless electronics communication at the end of the XIXth century (1893-1894) in São Paulo, by detaining on another pioneer, Luzia Rennó Moreira, in 1950s, in Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais - Brazil, a small town with almostexclusively agricultural and cattle breeding economic basis - which is still the same in a large portion -, she became responsible for the creation of the first electronics technical school in South America, origin of the nowadays known as Electronics Valley. | |
| Tipo Trab | TESE DatDef 20.09.1999 | |
| Unid | FFLCH - FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIENCIAS HUMA | |
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Acervo | Exemplares na biblioteca FFLCH |
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Pioneiro da radiodifusão Se o brasileiro tivesse recebido apoio das autoridades, hoje a história do rádio seria diferente." César Santos
A invenção do rádio, apesar de ter ocorrido há mais de um século, ainda causa controvérsias. César Augusto Azevedo dos Santos, coordenador do curso de Radialismo da UPF, trata da principal controvérsia a respeito do assunto em Quem inventou o Rádio? O livro é resultado de sua dissertação de Mestrado em Comunicação Social, defendida na Universidade Metodista de São Paulo. Nele, o jornalista faz uma retomada histórica dos primeiros estudos sobre eletromagnetismo, eletricidade e radiodifusão e aborda a trajetória do padre gaúcho Roberto Landell de Moura, pioneiro nos experimentos. Landell de Moura demonstrou vocação para a ciência e para a religião desde cedo, tendo, inclusive, estudado no exterior. Em 1893, o gaúcho realizou transmissões eletromagnéticas na capital paulista. Porém, não houve registros ou testemunhas que pudessem confirmar tal fato. Isso só aconteceu em 1900, quando Landell de Moura repetiu suas experiências publicamente. Dessa vez, um representante do governo inglês acompanhou a exibição, que foi, inclusive, registrada na imprensa. Nessa mesma época, o governo brasileiro lhe conferiu a patente de nº 3279, concedida para um aparelho apropriado à transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água. De acordo com César Santos, o padre gaúcho, inconformado com a pouca receptividade de seus inventos no Brasil, decidiu ir para os Estados Unidos. Lá, patenteou seus inventos - transmissor de ondas, telefone sem fio e telégrafo sem fio - e conseguiu certa notoriedade na mídia. Mas com isso não foi possível o reconhecimento de Landell de Moura como precursor na transmissão do som a distância, sem a utilização de fios condutores. Quem recebeu o mérito e o reconhecimento por esse fato foi o italiano Guglielmo Marconi. É seu nome que aparece em grande parte da literatura sobre o assunto. O físico italiano realizou experimentos sobre o telégrafo sem fio depois do brasileiro, mas patenteou-as antes, na Inglaterra. Isso fez com que fosse reconhecido como o inventor do rádio.
Reconhecimento
O contexto social em que viviam foi a principal diferença entre os dois cientistas, o que acabou, entre outros fatores, sendo decisivo para o sucesso de Marconi e o ostracismo de Landell. Enquanto o italiano cresceu na Europa, no meio cultural e econômico apropriado para o desenvolvimento do seu pensamento científico, o brasileiro nasceu em Porto Alegre, longe dos grandes centros de desenvolvimento tecnológico. Além disso, Landell de Moura, paralelamente a sua atuação como cientista, destinou parte da sua vida aos estudos teológicos e ao sacerdócio, atividade à qual se dedicou ao não ser reconhecido como cientista e inventor, apesar das patentes que lhe foram concedidas. Até mesmo por sua vivência religiosa, acredita-se que Landell de Moura tenha se conformado com a situação. Marconi, por sua vez, recebeu total reconhecimento do governo italiano e projeção internacional, tendo dividido o Prêmio Nobel de Física com Karl Ferdinand Braun. César Santos lamenta que, ainda hoje, o governo não tenha tomado para si a responsabilidade de inscrever o nome do cientista na história da evolução da radiodifusão. "Configura-se uma omissão que, corrigida, contribuiria para valorizar o trabalho científico no Brasil, além de estimular o fortalecimento de uma cultura de respeito aos nossos cientistas e de não-aceitação passiva da 'verdade' advinda dos centros que detêm a hegemonia econômica e cultural", conclui. O autor acredita que se Landell de Moura tivesse recebido o apoio merecido das autoridades brasileiras e da Igreja Católica, hoje a história do rádio seria diferente e o nome cientista brasileiro teria outra dimensão no mundo das ciências. |
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