| domingo, 22 de junho de 2003 |
| “Telegrafia
Sem Fios”, do inglês Wireless Telegraphy, era a denominação
europeia para as comunicações por ondas electromagnéticas
em “Código Morse” (“CW” em linguagem técnica). Na América
esta expressão foi usada até cerca de 1910, depois desta
data a designação oficial passou a ser simplesmente Radio.
A marinha de guerra dos Estados Unidos determinou inclusive que fosse usada
a palavra Radio em vez de Wireless nas comunicações oficiais
a partir de 1912.
A palavra Radio
deriva de um neologismo usado pelo professor Édouard Branly para
designar o aparelho que tinha inventado em 1890, o Radioconductor, mas
que viria a ser mais conhecido como Cohesor.
Não se sabe se existiu qualquer interesse pela “Telegrafia Sem Fios” em Portugal até ao início do século XX, mas é provável que em alguma parte deste país alguém tenha tentado algo, ou que, pelo menos, se tenha interessado pelo assunto, pois desde o início do século XIX que os estudos e descobertas no campo da electricidade e magnetismo, os fundamentos da radiodifusão, foram muitos e esta matéria já era estudada na Escola Politécnica de Lisboa, na Academia Politécnica do Porto e na Universidade de Coimbra desde o século XIX. Pelo mundo fora já se transmitia sem fios desde 1895, Guglielmo Marconi em Itália, Alexander Popov na Rússia, o Padre Landell de Moura no Brasil e nos Estados Unidos Nikola Tesla, um imigrante croata, já faziam experiências bem sucedidas e ainda hoje existem dúvidas de quem foi realmente a primeira transmissão via rádio. A “T.S.F.”
não é produto de um só inventor, mas sim um conjunto
de invenções. Ainda assim atribui-se a Marconi a paternidade
da “T.S.F.” pois foi o que mais rapidamente patenteou o seu feito em 1896.
A história da “Telegrafia Sem Fios” em Portugal começa com aparelhos simples e pouco potentes ao serviço do Exército e da Marinha em Março de 1901, mas mesmo pelo mundo fora a “T.S.F.” era uma novidade. Em Portugal as primeiras notícias eram dadas na primeira página com um destaque especial. O jornal “O Século” chegou inclusive a dedicar longos e exaustivos artigos a esta nova tecnologia. Dizem as estatísticas
que a população, no começo do século XX, era
de aproximadamente 5 500 000 habitantes em Portugal, e de acordo com antigos
e enraizados condicionalismos socioeconómicos a distribuição
da população era muito irregular. A concentração
fazia-se junto ao litoral a Norte do rio Tejo em detrimento do interior,
onde dominava quase exclusivamente uma agricultura de índole muito
rotineira e de que se ocupava também a população infantil.
Mas com a falta de escolas fora dos centros urbanos, a frequência
escolar era reduzida.
Em Portugal é difícil dissociar a pré-história da Rádio da história dos Telégrafos, dos Telefones e dos Correios, assim como a história da Televisão não pode ser separada da história da Rádio. Todas estas entidades estavam tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Os telégrafos já tinham linhas em Portugal desde 1855, e o telefone foi uma realidade no país em 1879, chegando inclusive a ser feitos nesse ano testes com um aparelho inventado pelo português Cristiano Bramão, o famoso telefone de mesa. Foram dois
empregados dos Correios e Telégrafos que em, 16 de Maio 1902, fizeram
aquela que se pode considerar a primeira emissão civil de “T.S.F.”
em Portugal, entre o cruzador “D. Carlos” e a Estação de
Semáforos de Cascais.
A palavra “Radiotelegrafia”
(radiotelegraphia como era escrito na altura) foi usada em Portugal logo
em 1901 no “Diário do Governo”, quando a “Telegrafia Sem Fios” ainda
estava a ser experimentada em Portugal, mas depois de 1920 as palavras
“Telefonia Sem Fios”, “Radiotelefonia”, e “Radiodifusão” começaram
a ser utilizadas, não só pelos técnicos, como pela
população em geral.
No primeiro
numero da revista “T.S.F. em Portugal”, em 9 de Novembro de 1924, já
se fazia uma distinção clara entre a Radiodifusão
e a Telegrafia Sem Fios.
Até
cerca de 1925, os postos de “T.S.F.” civis eram praticamente todos amadores,
os emissores e os receptores eram quase todos fabricados pelos próprios
entusiastas, uns transmitiam em Morse e outros já emitiam em “fonia”,
mas de muitos não ficou qualquer registo.
|