Recebemos com grande alegria o comunicado de nosso amigo Marco Aurélio Cardoso Moura que após dois anos de paciente pesquisa e muita dedicação - e após muitas experiências, dando notícias que logrou construir uma réplica do transmissor de ondas de Landell de Moura e que também funcionou, e como podemos ver pelas fotos o aparelho ficou com acabamento no capricho!!
Agradecemos as palavras que nos foram dirigidas,
mas queremos dizer ao amigo Marco que é a ele a quem cabe todos
os elogios por ter tido tanta paciência e dedicação
para fazer aquilo que se propôs a fazer. Está pronto, lindo
de se ver, - e funcionando! -
Logo a seguir Marco Aurélio descreve
as experiências realizadas e seus resultados até chegar ao
melhor ponto de desempenho no
funcionamento do aparelho, caminho que ele
novamente percorreu vivenciando a experiência de Landell.
Luiz Netto
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É com grande satisfação que te comunico a conclusão da réplica do Transmissor de Ondas, que venho desenvolvendo ao longo de dois anos. Como já é do teu conhecimento, deparei-me com enormes dificuldades, especialmente quanto à inexistência de dados referentes ao dimensionamento das peças e tipos de materiais empregados.
Praticamente todas as peças do transmissor foram feitas, experimentadas e refeitas várias vezes, até que fosse possível obter um funcionamento adequado. Embora, para os dias de hoje, o circuito possa parecer rudimentar, constatei que a construção do Transmissor é crítica em vários aspectos, a saber:
A construção
dos dois capacitores, no que se refere às capacitâncias e
tensão de trabalho, foi tarefa que consumiu muitos meses, até
que fosse possível obter em cada
um deles as características ideais que permitissem o funcionamento
de ambos em conjunto. O sistema realmente não
funciona se os capacitores não forem construídos de forma
adequada. Isso só foi possível com repetidas experimentações.
O interruptor
fonético (microfone) foi uma história a parte. Testei 10
tipos de diafragmas e obtive resultados razoáveis com bronze fosforoso
e com folha de flandres. O diafragma
feito em madeira foi o que melhor respondeu às vibrações
da voz). O diafragma de madeira foi feito com
duas lâminas coladas (essas usadas para revestir móveis),
com as fibras em ângulo de 90º. O material assim obtido ficou
com a espessura de 1,30mm. Sem dúvida,
o funcionamento do diafragma é um dos pontos mais críticos
do aparelho. Inicialmente imaginava que o material devesse ser flexível
e fino. Puro engano. Um material mais fino, tal como o latão com
0,1 mm de espessura, ao vibrar com a emissão da voz,
provoca no eixo do microfone uma série de "maus-contatos". Esse
fato provoca centelhamento intenso nos contatos, bem como um grande
e rápido aquecimento, provocando a queda da tensão e fazendo
com que a centelha entre as esferas fique débil, com frequência
irregular ou inexistente.
Por outro lado, ao utilizar-se diafragmas
mais grossos que o ideal, verifica-se a diminuição drástica
da sua capacidade de responder às
frequências da voz.Conclusão: se o diafragma não tiver
a espessura adequada, o sistema não funciona.
Nesse aspecto, é interessante verificar o que dizia o Pe. Landell
de Moura em um dos trechos da descrição do projeto (Patente771.917)
; " ... , pode-se
regular o ajustamento dos terminais fixos e do diafragma, até que
a amplitude das vibrações seja suficiente para
eliminar todos os tons, menos os fundamentais.
De fato, pode ser dado mais peso ao diafragma, se assim for preciso, ou
as suas pulsações
podem ser, de outro modo, retardadas."
Para os contatos entre o eixo do microfone e o diafragma, testei alguns
materiais como prata, latão, cobre e bronze, mas todos
apresentaram aquecimento demasiado e corrosão rápida pelo
centelhamento. Utilizei, então, dois contatos feitos com uma liga
especial de metais, contatos esses tirados de uma velha chave contatora
de alta qualidade. Vale referir que, ao
contrário do que alguns imaginavam, o funcionamento do sistema através
do "liga-desliga" do interruptor fonético não
transmite apenas ruídos de descargas elétricas. O sistema
modula e permite perceber-se as variações de frequência
da voz. Não foi surpresa a modulação algo imperfeita,
pois há que se considerar o pioneirismo do invento que se constituiu
na primeira e bem sucedida tentativa de
transmissão da voz por onda eletromagnética.
Vale lembrar que na descrição da projeto objeto da Patente
771.917 de 11/10/1904, o Pe.
Landell dizia: " Certamente é
impossível obter um ajustamento de contato tão perfeito que
reproduza todos os harmônicos e torne perfeita a articulação;
...
A bobina de indução foi feita, inicialmente, utilizando bobinas de ignição de automóvel. Com esse material fiz várias tentativas, ligando primários em série, secundários em paralelo, etc. etc. Tudo em vão (destruí 6 bobinas). A maioria das experiências produziu centelha entre as esferas, entretanto todas as bobinas aqueceram demasiadamente e "queimaram" o secundário em poucos minutos de uso. Assim, partí para a solução que eu tinha até então evitado: Construir uma bobina de Ruhmkorff (é um saco !).
A bobina foi feita com 220
espiras de fio AWG-14 no primário e 20.000 (vinte mil) espiras
de fio AWG-28 no secundário e produziu
grande e abundante centelha entre as esferas;
entretanto, demandou altíssima corrente no primário, aquecendo
a fiação e chegando a derreter as soldas dos contatos entre
o diafragma e o eixo do microfone.
Tentei resolver o problema Intercalando resistências para reduzir
a corrente ou a tensão mas o resultado prático foi
que o sistema deixou de centelhar entre as esferas.
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Retirei a bobina de Ruhmkorff e instalei em seu lugar um transformador antigo de alta tensão, com saída de 12.000 V, desses usados para luminosos de gás neon. Embora o transformador seja dimensionado para operar com corrente alternada de 127 V, funcionou extremamente bem para a finalidade desejada, com corrente contínua de 12 V. Nesse sentido saliente-se que o próprio Pe. Landell de Moura na Patente 771.917 ("Wave Transmitter"), quando descrevia as conexões do sistema, dizia: "
Nessas figuras, "F" é uma bobina de
Ruhmkorff ou outra qualquer bobina de indução e de alta potência,
ajustada de maneira a
produzir uma centelha de certo comprimento ..."
.
O teste do
aparelho somente foi feito dentro de casa, sem antena e sem ligação
à terra, em distâncias até 10 metros. Embora tenha
se verificado
a recepção do sinal tanto em AM como FM, o
melhor sinal se deu em onda média, abaixo
dos 540kz. Oportunamente vou testá-lo
em ambiente externo e alterar (reduzir) a capacitância do capacitor
ligado ao primário para verificar a transmissão em frequências
acima da onda-média.
Por ora é o que eu tinha a relatar.
Na medida em que meu tempo permitir, estarei te enviando dados construtivos
adicionais.
Um abraço
Marco Aurélio Cardoso Moura
FONTES DE CONSULTA:
* "O incrível Pe. Landell de Moura",
de Ernani Fornari, editora Globo-edilção 1960.
* Internet - no site de Luiz Netto - http://planeta.terra.com.br/arte/landell_de_moura,
ou http://www.rlandell.hpg.ig.com.br
que se constitui na fonte mais completa - em toda a WEB- de informações
biográficas e notadamente técnicas
sobre a vida e obra do Pe. Roberto Landell de Moura.
APOIO TÉCNICO:
* Industrial Eletro-Mecânica APEX Ltda.
de Porto Alegre, nas pessoas de seus diretores: Sr. Rolf Stephan e Sr.
Alexandre Stephan.
FOTOGRAFIAS:
* Fernando Zago / "Studio Z" de Porto Alegre.
AGRADECIMENTO ESPECIAL
* Agradeço a todos aqueles que, de
uma forma ou outra, contribuiram para que eu pudesse concretizar a idéia
da construção da
réplica do Transmissor de Ondas inventado
pelo Pe. Roberto Landell de Moura. Especialmente agradeço a Luiz
Netto, pelo incentivo e pelas orientações
técnicas que me permitiram entender o sistema de funcionamento e
desenvolver a construção do aparelho.



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