DESCRIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DOS APARELHOS DE TELECOMUNICAÇÕES DE ROBERTO LANDELL DE MOURA PATENTEADOS NO UNITED STATES PATENT OFFICE
Transmissor de Ondas: Patente 771.917 de 11/10/1904 –Telefone Sem Fio: Patente 775.337 de 22/11/1904 – Telegrafo Sem Fio – (Transmissão e Recepção)- Patente 775.846 de 22/11/1904
 
Luiz Netto
INTRÓITO

Este artigo destina-se a estudantes que desejam saber um pouco a respeito de Landell de Moura e sua obra como cientista e para alguns físicos, com pomposos títulos de  Phd à frente de seus nomes, mas que nada sabem, que nada estudaram sobre Landell de Moura e que as vezes atuam até como julgadores de trabalhos que devam ou não ser publicados em revistas de física e que emitem pareceres preconceituosos os mais absurdos e que para algumas pessoas menos avisadas ainda gozam do  crédito de serem "bons" estudiosos da História da Ciência.

O "rigorismo" que aplicam sobre aquilo que julgam não aplicam a si mesmos na hora de falar tanta bobagem. Ignoram completamente o trabalho de demonstração do funcionamento de seus aparelhos feito no exterior e aqui no Brasil,ignoram as réplicas de seus aparelhos que foram construidas e que funcionaram, atribuem a aqueles que escrevem algo sobre Landell como se fossem simples manifestações de nacionalismo sem nenhuma fundamentação científica querendo substituir o nome de Marconi pelo de Landell de Moura. Enfim utilizam o artificio da desqualificação.

Entretanto na hora  em que se lhes apresenta um circuito de uma das invenções de Landell, são incapazes de dizer sobre o ponto de vista elétrico ou eletrônico de enunciar: Isto aqui não pode funcionar por esta ou aquela razão, porque se encontram um contestador com conhecimentos à altura, ficam totalmente sem argumentos. A fragilidade de seus conhecimentos fica evidenciada. Como se não bastasse as estulticies proferidas por um, chamam a outro para chancelar as besteiras ditas pelo primeiro.

Para fazer uma análise criteriosa é preciso ser um especialista.Tudo o que sabem dizer é: "Pelos conhecimentos que se tem  da Física, isto não pode funcionar - (Têm a presunção de saber o suficiente sobre física) - falam da Física como se soubessem tudo o que dela já se sabe, conquanto não estejamos aqui a desprezar aquilo que de fato possam saber. Não tem nenhuma humildade para se conter nos limites sobre o que de fato possam saber. Não entram em detalhes porque são incapazes de fazê-lo. Se algum desses estiver lendo isto aqui e serviu a carapuça me escreva: bvalumbrosius@yahoo.com.br e vamos discutir o assunto. Falo até com os falsos rigoristas e preconceituosos desde que sejam mínimamente inteligentes e tenham um mínimo de preocupação com a ética.

Conheço muita gente que é bom de papel. São " bons" para falar sobre teoria, não implicando com isso que a conheçam. Peça-lhes para pegar uma ferramenta e não sabem por onde segurá-la, mas falam sobre ela...são tão desajeitados que deixam-na cair ao chão, e não se diga que não sabem resolver uma equação diferencial ou uma integral para mostrar o quanto são "capazes"e das proezas que seus intelectos podem realizar.  Resolvem porque são treinados para isso.

Se lhes dermos uma vassoura para varrer o laboratório onde "trabalham" - provávelmente se sairá melhor o homem da limpeza - porque faz isso todos os dias...procura fazê-lo bem, e porque é humilde naquilo que faz, não excede o limite do que lhe é pedido: Varrer o laboratório. Se a um sapateiro lhe é pedido para analisar um quadro onde aparece alguém com o sapato que  fez, que não vá além dos sapatos...!!

Se a um desses metidos "doutores"  lhes for perguntado  sobre um conceito... aí... pronto.. o caldo entorna...acabou, até falam... mas percebe-se que de fato não o assimilaram, repetem o que leram, dando a falsa impressão que sabem. Um inquiridor arguto perceberá o que de fato sabem e o que não sabem, e onde está um papagaio a repetir frases. Dêm-lhes um problema de natureza prática para resolver e aí enrolam-se todinhos. Patinam... não saem do lugar, falam.. falam sobre tudo, menos o que interessa, falam porque querem impressionar, para esconder o que não sabem!

Parece que um douto amigo meu tem alguma razão quando diz: "Os que sabem FAZEM e os que não sabem ENSINAM". Não chego a tanto. Não generalizo... por que tem muita gente boa ensinando  -  mas que no fundo ele tem alguma razão.. lá isso tem. Dado o recado, vamos saber um pouco sobre Landell de Moura. Os estudiosos que realmente tem preocupação com a História da Ciencia e que de fato se preocupam com o rigor científico, que desejarem estudar Landell e sua obra, peçam ao menos do Departamento de patentes nos Estados Unidos os esquemáticos e os  Memoriais Descritivos de seus aparelhos e que os estudem para valer, antes de emitirem qualquer parecer menos esforçado e preconceituoso.

Quando não entenderem algo procurem um capaz engenheiro especialista em telecomunicações - não preconceituoso - preferívelmente estudioso dos primeiros "Wireless"  e consultem-no sobre eventuais dúvidas que possam surgir.. Afinal isto é uma especialidade. Não é suficiente ser um especialista em generalidades. Humildade faz bem a qualquer ser humano e é uma característica dos que já avançaram no conhecimento um pouquinho, socorrerem-se de alguém que sabe mais. Já houve muita gente no passado com reconhecida capacidade técnica que se debruçou sobre estes estudos e verificou a importância do trabalho de Landell como um pioneiro das Telecomunicações.

Poderão também estes pesquisadores, para que se tornem dignos do nome, viajar até Porto Alegre, às suas expensas, se forem idealistas,  ou se conseguirem alguma verba onde "ensinam", ir até o IHGRS e compulsarem os documentos originais para análisá-los. Calem um pouco a boca prolixa, inculta e desinformada,  enfiem a mão nesses bolsinhos costurados e regulados -  gastem alguma grana para uma boa finalidade, pedindo pelos menos esses documentos.

Depois disso estudem e muito.Quando disserem algo, digam algo que valha a pena! Não digam algo para externar toda a vaidade vazia que são portadores! Encham-se de alguma substância. Publiquem o que estudaram e que conclusões chegaram e que tenham a coragem de se exporem e que se submetam às críticas, para que suas conclusões sejam cotejadas com as de outros que estudaram a matéria.Depois de tudo isso talvez possam se atrever a ensinar! (sem as aspas).

Finalmente, considere-se que um inventor ainda que não tenha freqüentado os bancos de uma escola superior é capaz de produzir coisas que o mais renomado dos teóricos em Física as vezes não  é  capaz de produzir. Veja o caso de Thomas Alva Edson era apenas um prático com muita criatividade e honestamente muito esforçado! Para  ele fez-se a LUZ! Que bom teria sido a ele ter um físico teórico para dizer que tipo de filamento usar nas lâmpadas para que não queimassem
com tanta freqüencia! Edson prescindiu dessa ajuda e saiu-se muito bem.

Tivesse submetido seus projetos a um desses analistas teóricos "rigorosos...." teria a resposta de que isto não funciona... Isto jamais vai funcionar à luz dos conhecimentos de Física!. À Goddard também disseram que os seus foguetes não poderiam navegar no "vazio" do espaço...porque isto era contrário  às leis da Física...Riram dele! - Goddard riu melhor - estava no conceito deles na última fileira, e segundo o ditado popular: Ri melhor quem ri por último" -  Goddard estava na vanguarda e isto não viam os míopes físicos doutores, cheios de empáfia... donos da verdade! Bom.. Nada contra os físicos.. hein... Venerados são muitos nomes a quem devemos permanentemente prestar nossos tributos! - Até mais ver -  Newton,Coulomb, Faraday - (O discriminado pelos narizes empinados da época... imagine... começou como insignificante tipógrafo...), Maxwell, Hertz, Tesla!!Chega! É o suficiente.
Se você quiser baixar os arquivos que estão logo a seguir sob a forma de .doc para ter uma melhor impressão clique aqui:

                                Patentes Landell.doc
 
Roberto Landell de Moura nasceu em 21 de Janeiro de 1861 em Porto Alegre e faleceu em 30 de Junho de 1928 nesta mesma cidade.

Era dotado de uma grande vocação científica e a par desse atributo, tinha um grande sentimento religioso. Atendendo à vontade de seus pais IGNACIO JOSÉ FERREIRA DE MOURA e SARA MARIANNA LANDELL DE MOURA, foi para ROMA, junto com seu irmão GUILHERME LANDELL DE MOURA e matriculou-se em 22 de Março de 1878 no Colégio Pio Americano para estudar Teologia, tendo se formado padre em 28 de Outubro de 1886.
 

Lá em Roma, juntamente com seus estudos teológicos, Landell de Moura estudou Física e Química na UNIVERSIDADE GREGORIANA, por onde passaram vários papas.
 
Retornando ao Brasil, Landell foi pároco em várias cidades brasileiras como Santos, Campinas, Mogi das Cruzes, Botucatu e na Capital Paulista. Foi em Campinas que Landell fez suas primeiras experiências com aparelhos de telecomunicações tendo feito suas primeiras demonstrações de transmissão de voz entre 1893 e 1894 na cidade de São Paulo, segundo um de seus biógrafos que o conheceu e privou com ele, o jornalista e escritor Ernani Fornari.
 
Devido à total falta de apoio para prosseguir com suas pesquisas, mesmo após haver conseguido suas patentes nos Estados Unidos, padre Landell voltou-se para a sua vida religiosa em Porto Alegre, não tendo contudo conseguido sufocar a sua vocação científica. Tinha conhecimentos também na área de Biologia, Medicina e Parapsicologia.
 
 
TELEFONE SEM FIO – “Wireless Telephone” patente n.775.337 – 22/11/1904
 
 
 

O que você vê aqui é o telefone sem fio de Landell de Moura. O aparelho é dividido em 3 câmaras. Na primeira câmara à esquerda há uma superfície parabólica espelhada, sendo que no foco desta superfície parabólica está uma possante fonte de luz obtida através do curto-circuito entre dois reóforos inseridos em um circuito de corrente contínua.
 
 

 
Devido à propriedade das superfícies parabólicas, toda a luz gerada no foco desta superfície é enviada para a frente desta superfície em raios paralelos. É um possante holofote. Devido ao grande calor gerado pelo efeito Joule, existe um ventilador que joga ar para dentro desta câmara para dissipar o calor gerado.
 
Os raios de luz que saem dessa câmara vão passar para a câmara seguinte, encontrando em seu trajeto uma placa de quartzo, que está vibrando segundo a forma de onda das pressões acústicas da voz do locutor que introduz sua voz pelo bocal visto à esquerda na parte de baixo da figura logo mais acima desta.
 
Observe que há nessa câmara um difusor de som, dirigindo a pressão sonora para a placa de quartzo. Essa luz, assim modulada em intensidade e freqüência pela voz do locutor atravessa o espaço em um possante raio que ao chegar em outra unidade como esta vista na figura, situada a quilômetros de distância, com o mesmo alinhamento, na mesma visada, vai incidir na terceira câmara, em uma fotocélula, colocada no foco da uma superfície parabólica espelhada que transformará estas variações de luz em corrente elétrica contínua de intensidade variável, traduzindo-a novamente em som, que será percebido através de um fone inserido nesse circuito. Produz-se assim a demodulação da onda que carregou a informação sonora.
 
Na experiência produzida em São Paulo, foi possível ao assistente de Landell ouvir nitidamente com muita clareza, o tic-tac de seu relógio situado a 8 Quilômetros de distância.
 
 
Telefone Sem Fio – Detalhamento do funcionamento
 
Você observa aqui neste conjunto de figuras na parte superior – dois transceptores – colocados um em frente ao outro separados por uma certa distância que no caso da experiência de Landell aqui em São Paulo era aproximadamente de 8 quilômetros. Os dois devem estar na mesma linha de visada e alinhados de modo que o raio de luz emitido por qualquer um deles possa ser observado pelo outro.
 
Para essa finalidade de ajuste existe em cada um dos transceptores uma luneta que serve para orientar cada um dos operadores a posicionar corretamente seus aparelhos. Como vimos na figura anterior a voz do locutor transformada em variações de luz em freqüência e amplitude é concentrada sob a superfície de uma fotocélula, ou como chamamos hoje, uma LDR (light depending resistor ).
 
Vemos na parte baixa da figura o circuito que transforma a luz incidente na fotocélula- em áudio. É um simples circuito série de corrente contínua, composto de um fone de ouvido, uma bateria e uma fotocélula.
 
As correntes variáveis no circuito devido às variações do valor da resistência da fotocélula em razão da variação da intensidade da luz sobre ela incidente – serão comunicadas à bobina do fone de ouvido – que fará uma placa metálica vibrar em razão do campo magnético criado, vibrações essas que terão mesma freqüência e forma de onda de sua origem.
 
Assim, transforma-se uma onda sonora em variações de luz e novamente em som.
 
 
Aqui você vê dois transceptores colocados um frente ao outro separados por uma certa distância que no caso da experiência de São Paulo foi de 8 quilômetros.
 
TRANSMISSOR DE ONDAS – “Wave Transmitter”
 
 
 

Esta é mais uma invenção de Landell de Moura: O Transmissor de Ondas. A grande diferença entre a invenção de Marconi e Landell é que este buscou desde o início a transmissão direta da palavra. Este aparelho buscava isto. No telefone sem fio visto anteriormente isto foi conseguido plenamente com grande fidelidade de pureza do som. No entanto havia um limitante que era a distância entre os aparelhos, pois estes deveriam estar em linha reta, sem obstáculos à frente.
 

Neste transmissor de ondas a informação era irradiada em todas as direções. O aparelho é de concepção simples mas muitíssimo engenhosa, já que rigorosamente o que Landell fez foi colocar no lugar da Chave Morse um microfone fonético de sua invenção.

O aparelho era constituído do Microfone Fonético – a bobina de Ruhmkorff, em cujo enrolamento secundário estava associado duas esferas centelhadoras e uma antena.
 

O Microfone Fonético era acionado pela voz do locutor. Ao ser introduzida através do bocal visto na figura, um diafragma sensível era posto a vibrar pela ação da pressão acústica da voz. Estas vibrações fechavam um contato que ligavam eletricamente ao primário da bobina de Ruhmkorff um transformador de monitoração de sinal da voz do locutor.
 

O abrir e fechar destes contatos através da ação do diafragma na cadência da voz do locutor, provocavam pulsos de alta tensão no secundário da bobina de Ruhmkorff que podiam ser irradiados através do centelhador ou antena.
 

Naturalmente que a voz assim irradiada não portava as características de TIMBRE da voz do locutor. Assim seria impossível identificar por exemplo se o locutor era um homem ou uma mulher, pois tudo o que a chave fazia era fechar ou abrir um contato na cadência, ou na freqüência da voz.
 

Só após algum treino é que se podia perceber o conteúdo das mensagens. O monitoramento do sinal era necessário para fazer reajustes das distâncias da agulha de contato com o diafragma pois o material se desgastava com as sucessivas descargas elétricas.
 
 

Transmissor de Ondas – Detalhes
 

Aqui vemos com mais detalhes construtivos o transmissor de ondas: Observe o bocal C por onde se introduzia a voz em uma câmara de Ressonância 1. Observe que o diafragma “a” ao ser colocado em vibração pela pressão acústica da voz, fechava contato com a ponta da agulha “b2”, fechando o circuito do primário da bobina de Ruhmkorff. A corrente elétrica passando pela Bobina “d” , induzia no secundário “D” uma força eletromotriz, sendo este o sinal de monitoramento de como estava operando o contato. O dielétrico dos capacitores G e G’ era feito de vidro.

COESOR DE BRANLY
 
 
 
 
Observa-se aqui nesta figura o Coesor de Branly, cuja função era detectar a passagem de uma onda eletromagnética. O coesor é constituído de um tubo de vidro no interior da qual é colocado limalha de ferro ou alumínio. Ele é inserido em um circuito de corrente contínua onde se coloca em série com uma campainha. Ao se fechar a chave S e quando se produz um pulso eletromagnético, este ao passar pelo coesor, as partículas da limalha se alinham de modo a oferecer um caminho de baixa resistência para a passagem da corrente elétrica, fazendo soar a campainha elétrica. Portanto, a propagação da onda praticamente curtocircuita os terminais mm’ visto na figura. A condutibilidade persiste mesmo após cessar a propagação da onda, sendo necessário dar uma leve batida sobre o corpo de vidro de coesor para que este abra os terminais mm’ colocando-se em situação de poder detectar a passagem de uma nova onda. Estes dispositivos foram usados nos primeiros receptores de telegrafia, sendo mais tardes substituídos por outros com uma melhor performance.
 
 
Maiores detalhes do Coesor – Descoesor de Branly
 
 

Observa-se aqui nesta figura com maiores detalhes o coesor-descoesor de Branly. Ao coesor cabia a função de agregar, de juntar as partículas de limalha de ferro ou alumínio, permitindo continuidade entre seus terminais – e ao Descoesor cabia a função justamente oposta, a função de desagregação para deixar o coesor pronto para receber o próximo sinal.
 

Para a função de desagregação era acionada uma pequena haste metálica no corpo do aparelho através da qual se davam leves batidas sobre o corpo do coesor espalhando novamente as partículas de limalha de ferro, abrindo novamente seus terminais.
 
Os circuitos elétricos de recepção de telegrafia eram dotados de um relê que fazia eletricamente este papel, através de uma pequena haste acoplada à sua armadura. Após a passagem de um sinal eletromagnético pelo coesor, este levava uma suave batida no seu corpo de vidro. Veremos como o coesor-descoesor logo a seguir.
DETETOR DE SINAIS TELEGRÁFICOS E REFORÇADOR ACÚSTICO
 
 
 

Verificamos aqui a existência de três módulos. O primeiro módulo à direita da figura é o módulo da Reprodução Fonética dos Sinais Telegráficos. Logo mais à esquerda vê-se o detector constituído pelo coesor e o descoesor. Na extrema esquerda está o módulo do registrador Morse. Analisemos o funcionamento destes circuitos.
 

Quando chega um sinal eletromagnético à antena, os materiais magnéticos contidos no coesor se alinham de tal modo que os terminais “a” e “b” em 50, são postos em curto circuito. Com isso o terminal positivo da Bateria (58) alimenta o ponto (46) que de acordo com a posição mostrada pela chave (52) fará soar a campainha (60) avisando o operador para iniciar a recepção dos sinais.

O operador então muda a posição da chave (52) para a posição (53) alimentando o circuito de reprodução fonética dos sinais telegráficos. Verifique que mudando as chaves (62) e (52) convenientemente o Registrador Telegráfico pode ser colocado em funcionamento para registrar as mensagens telegráficas em fita.

Quando se extingue o pulso, o rele (55) – (descoesor) – não fica mais atracado e ao voltar à sua posição normal, faz com que o PERCURTOR a ele acoplado dê uma leva batida no coesor fazendo com que os termi8nais (a) e (b) fiquem abertos novamente e preparados para receber um novo pulso e assim sucessivamente.
 

Bom... mas e o reforçador acústico como opera? Vamos a ele: Quando o primário do transformador (64) recebe energia na presença de um pulso porque o coesor permitiu isto – haverá a indução de um pulso no secundário do transformador onde está associado uma bobina à um diafragma que vibrará muito fortemente.
 

As vibrações desse diafragma fazem com que a coluna de ar no interior desse dispositivo – fique alternadamente comprimida e rarefeita e essa pressão exercerá no carvão contido no circuito série do primário uma variação de resistência que ocasionará também uma variação da intensidade de corrente elétrica. Com isso essa variação de corrente induzirá um novo pulso no secundário do transformador reforçando a vibração. É um processo regenerativo. Segundo descrição de Landell os sons obtidos assemelham-se ao sons de uma flauta, emitidos com duração curta representando o ponto e outro mais longo representando o traço do código Morse.

TRANSMISSÃO-RECEPÇÃO DE TELEGRAFIA
 
 
 
 

Para facilitar o entendimento do funcionamento de como operam os circuitos de transmissão e recepção de telegrafia de Landell de Moura, indicamos sobre este desenho original apresentado ao Departamento de Patentes dos Estados Unidos, as funções de cada parte do circuito.

 
Assim temos da direita para a esquerda ao alto, o circuito detector de telegrafia, composto por uma bateria, um fone de ouvido, uma placa de selênio –(fotocélula) – e a chave que fecha o circuito. Já explicamos anteriormente como funciona esta parte.
 
Logo mais abaixo vemos a bobina de Ruhmkorff, em cujo primário está conectada uma chave Morse para produção de pulsos elétricos em Código Morse e que se refletirão no secundário aplicando à ampola de Crookes altas voltagens para ionizar o gás nela contido e produzindo lampejos com duração diferentes que traduzirão os pontos e traços do código Morse.
 

Subindo e mais à esquerda temos o circuito de transmissão telegráfica, via ondas eletromagnéticas, composto da bobina de Ruhmkorff e da chave Morse. Com o abrir e fechar da chave Morse utilizando pontos e traços convenientemente de acordo com este código far-se-á a transmissão de qualquer mensagem alfanumérica.
 

Mais à esquerda temos o circuito detector de telegrafia e o registrador Morse.

Landell introduziu aqui um meio de amplificar os sinais acústicos telegráficos, obviamente sem utilizar válvulas, pois elas ainda não existiam. Os detalhes de funcionamento deste amplificador acústico serão dados mais adiante.

Temos aqui então o Coesor de Branly, devidamente acompanhado de um descoesor elétrico. Aqui é que se dá o registro da passagem de um pulso eletromagnético. Funciona como um detector de Uns e Zeros se chamarmos de Zero o PONTO do código Morse e se chamarmos de Um o TRAÇO do código Morse. O detalhe em verde no canto superior direito mostra um refletor parabólico colhendo os sinais de luz transformados em som. Vê-se aqui que o código poderia ser detectado através da visão e também eletricamente, quando utilizada a ampola de Crookes.
 

TRANSMISSOR TELEGRÁFICO VIA ONDAS ELETROMAGNÉTICAS
 
 
 

No canto esquerdo da figura temos o circuito de transmissão de telegrafia via ondas eletromagnéticas. Observe a posição da chave Morse. O abrir e fechar da chave Morse com uma duração curta para representar o ponto e uma duração longa para representar o traço produz pulsos que são irradiados para o espaço.
 

O circuito mais à direita será objeto de análise a seguir.
 
TRANSMISSÃO TELEGRÁFICA VIA PULSOS DE LUZ
 
 
 

Observe agora o circuito à direita da figura. Veja a chave Morse colocada no primário da bobina de Ruhmkorff. O abrir e fechar do circuito do primário induzirá pulsos de alta tensão no secundário da bobina, que provocará ionização de gás contido na ampola de Crookes. Esses lampejos assim obtidos, de duração curta e um pouco mais longa, poderão ser detectados visualmente ou “ouvidos” através do detector de som através da luz emitida estando acionado o circuito de detecção de luz.

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