Luiz da Silva Netto
Quando eu ainda era graduando de matemática, um dia o diretório acadêmico de nossa faculdade convidou o Dr. Mário Schenberg para dar uma palestra. Falando sobre o caminho da ciência e da condução do pensamento dos cientistas em suas pesquisas o eminente físico-matemático-artista-pensador disse algo a respeito de qual direção um cientista deveria tomar quando fosse pesquisar algum fenômeno, quais caminhos poderiam conduzi-lo a uma descoberta.
Lembrou-nos então esse grande mestre , um homem conhecedor de artes, até hoje lembrado, festejado, e muito querido dos artistas, que a natureza, ela própria nos indica o caminho. Explicou-nos Mário Schenberg que os modelos na natureza tem às vezes muita similaridade entre si e muitas vezes fenômenos físicos diferentes têm até a mesma expressão matemática que os traduz, as vezes diferindo apenas pela introdução de uma constante na fórmula.
Como exemplo temos uma expressão matemática
que traduz 3 fenômenos físicos diferentes. Senão vejamos:
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1)A expressão matemática que traduz o fenômeno da atração gravitacional entre dois corpos, lei descoberta por Isaac Newton, (Que nos legou também uma obra prima de seu intelecto: O cálculo diferencial e integral.)
F= G * ( m1.m2 ) /r2
onde F = força de atração entre dois corpos de massas m1 e m2
r2 (distancia entre as massas ao quadrado)
G=Constante de atração gravitacional.
2)A expressão matemática que
traduz a força de atração ou repulsão entre
duas cargas elétricas de nomes contrários ou de nomes iguais
respectivamente:
(Lei de Coulomb)
F = (q1.q2) /d2, onde F= Força entre
os corpos, q1 = carga elétrica da carga 1 e q2 carga elétrica
da carga 2 e d2= distância entre as cargas ao quadrado.
Hoje sabemos que se comprova o fenômeno da Telepatia através de experimentos controlados cujos resultados são tratados pelo cálculo de probabilidades de modo a mostrar que os resultados obtidos não foram aleatórios, mas que houve uma força ou causa prédeterminada. Mas... qual seria o mecanismo pelo qual ela se dá? Que modelo conhecido nos daria uma pista por onde caminhar e que possivelmente nos conduziria à descoberta desse segredo?
Sempre dei tratos à bola pensando neste
assunto e lembrando o que disse o prof. Schenberg, imaginei que este fenômeno
deve ser algo parecido com o fenômeno da sintonia que ocorre quando
um receptor de rádio ou televisão capta esta ou aquela emissora
de rádio ou televisão.
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Basicamente o que é que acontece? O
que temos em uma emissora de rádio e em um receptor de rádio
que faz com que seja possível detectar o sinal contendo a informação?
Simplesmente é gerado um sinal de uma determinada freqüência,
na estação emissora, esse sinal sofre variações
de acordo com o sinal de voz ou musica que se quer transmitir, captado
por um microfone.
Esse sinal elétrico que após
convenientemente amplificado é conduzido até a antena que
irradia então um campo eletromagnético portando as informações.
Estes sinais caminham pelo espaço à velocidade de 300 mil
quilômetros por segundo e na outra ponta o aparelho detetor de rádio
SINTONIZA, a mesma freqüência da emissora e extrai a informação
contida na onda portadora.
Essa sintonia implica em receber somente o
sinal da emissora desejada e descartar todos os demais sinais de outras
emissoras presentes também na antena.O circuito de sintonia seleciona
qual a freqüência quer receber.
TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO
Eu intuo que algo parecido deve ocorrer com a transmissão do pensamento.
Imagino que quando pensamos há um fluxo constante de sinais elétricos transitando em nosso cérebro que devem traduzir esses pensamentos. Ora, sabemos que uma corrente elétrica transitando em um fio cria campos eletromagnéticos que se propagam no espaço.
Se alguém estiver RESSONANTE com esses pensamentos, poderá detetá-los, pois quando pensamos e produzimos essas diminutas correntes elétricas que circulam por nossos neurônios ainda que sejam sinais de amplitudes muito pequena eles devem se propagar pelo espaço e imagino que o receptor deve possuir uma sensibilidade tal que apenas alguns microvolts devem ser o suficiente para sensibilizar o detetor. O limiar dessa detecção deve ser um valor muito pequeno.
(No caso da audição a potência sonora que é necessária para o ouvido perceber uma perturbação sonora é da ordem de 0,0000000000000001 W/cm2, ou 10 elevado à décima sexta potência negativa/watts/centímetro quadrado,à frequencia de 1khz, Zero decibel). Por aí vemos como o ouvido é sensível e auto-protegido contra a sua destruição já que a sua resposta à um estimulo acústico não é linear mas sim ao logarítimo do estímulo, habilitando-o a ouvir um farfalhar de folhas caindo ao solo, e também suportar o estouro de uma bomba.
Minha intuição à esse respeito do modelo apresentado é reforçada quando verificamos muitas histórias de descobertas no passando quando as pesquisas eram feitas por cientistas isoladamente e muitos chegaram às mesmas descobertas quase que simultaneamente e estando as vezes separados por milhares de quilômetros, sendo que muitas vezes um não sabia o que o outro estava pesquisando.
Coincidência...? Me parece que não. Provavelmente pensando a mesma coisa eles entravam em RESSONÂNCIA, similarmente o que acontece quando afinamos as cordas de um violão, ou seja quando tocamos uma corda e estando a outra afinada na mesma freqüência a energia daquela que é tocada é transmitida mecanicamente, fazendo a outra entrar em ressonância e emitir a mesma nota, sem que tenha sido tocada.
Temos aí um transmissor e um receptor afinados, sintonizados à mesma freqüencia. No receptor de rádio faz-se a sintonia de uma dada freqüência quando o circuito de recepção entra em ressonância (oscila na mesma freqüência).
Para citar mais um contundente exemplo de construção
de um engenho humano, que encontra uma construção biológica
similar baseada nos mesmos princípios físicos é só
lembrarmos como é construída uma câmera de televisão
em cores, que tem o seu similar no olho humano.
Todas as cores percebidas através de
uma câmara em cores são detectadas através dos milhares
de elementos pontuais de fósforo de cores VERMELHO,
VERDE e AZUL.
Qualquer cor pontual pode ser decomposta em um certo valor (R) Vermelho
mais um outro valor (G) de Verde
e mais um outro valor (B) de Azul.
É uma adição de luzes. O brilho dessas cores é
a luminância que é tratada pelo amplificador de vídeo.
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Como se passa esse processo no olho humano?
No interior do olho, na retina temos dois tipos de fotoreceptores: Os Cones
e os Bastonetes. Existem 3 tipos de cones. Um tipo responde à cor
vermelha, o segundo tipo responde a cor
Verde e o terceiro tipo responde à
cor azul
. De modo que o olho faz a integração
dessas componentes (R)(G)(B) para cada cor do espectro que está
vendo. Os Bastonestes que são em maior número respondem sómente
ao brilho das cores, que corresponde na câmara de tv ao sinal de
luminância.
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Olho Humano - Veja a camada de
CONES e BASTONETES "conos y bastoncillos" |
Curvas de Luz Absorvida pelos Cones
R=Vermelho, G=Verde, B=Azul |
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Esquema da Retina com
os grupos de cones e bastonetes que se unem
com as terminações do nervo ótico (H.Autrun,Ciencias
Naturales y Medicina)
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Portanto este exemplo que coteja o funcionamento
de uma câmara de televisão versus funcionamento
do ôlho humano, mostra que não é nada fora de propósito
esperar que seja possível também encontrar um equivalente
biológico detetor dos pensamentos como no presente
caso encontramos para a câmera de televisão o correspondente
detector biológico que é a visão humana.Vemos
que tudo é uma questão de sintonia.
"ANTENAS" SINTONIZADAS E NÃO SINTONIZADAS
Ocorre-me a idéia que se um transmissor "A" está pensando digamos na solução de um problema de Matemática, a forma de onda correspondente a esse pensamento ao ser emitida e encontrando um receptor "B", ressonante com estes assuntos, esta informação poderá ficar "guardada"em um "buffer" no receptor "B" e quando este receptor "B" estiver pensando sobre este assunto, aquilo que ficou "guardado" poderá aflorar em seu pensamento como uma informação "nova" que o receptor "B" poderá entender como uma "intuição".
Se o transmissor "A" e o receptor "B" estiverem
a pensar simultâneamente nos mesmos assuntos então "B" poderá
entrar em "ressonância" e ao receber a "nova" informação
a incorporará como novo elemento de raciocinio. Se as formas de
ondas emitidas não encontrarem "ressoadores" elas agirão
como se passassem por
antenas "não sintonizadas".
Com estas postulações é
imediata a idéia da "transcepção" que deve ocorrer
entre duas fontes.
| Pois estudando as teorias do pesquisador brasileiro,
que ainda infelizmente não é conhecido de grande parte dos
brasileiros e o que é imperdoável até nos meios acadêmicos,
e que em 1893/4 inventou aparelhos para transmitir a voz humana sem auxilio
de fios, utilizando ondas curtas e a LUZ, o sacerdote-cientista ROBERTO
LANDELL DE MOURA, verifiquei que êle já intuía
esses pensamentos, onde incluía além dos fenômenos
de telepatia, os de visão à distância,
como fenômenos que se propagariam ondulatóriamente.(página
142 do livro de Ernani Fornari – "O Incrível Padre Landell de Moura"
– Biblioteca do Exército Editora. Se estas idéias soam
como ousadas nos tempos de hoje, imaginem na época na qual foram emitidas e levando-se em consideração que além de cientista era também um religioso e que estudos de parapsicologia só agora são aceitos tranqüilamente pela igreja. |
Enfim, não sabemos ainda os detalhes de como isso ocorre mas parece que temos a indicação de um bom caminho de pesquisa para seguir. Um dia, como soe acontecer com todas as coisas... nós os humanos saberemos isso detalhadamente. Por enquanto ousemos exercitar a nossa faculdade de imaginação, de intuição...utilizando os conhecimentos que nossos predecessores nos legaram. Urge que os parapsicólogos o descubram e estudem suas teorias.